quinta-feira, 29 de março de 2012

Entrevista com João Ramos - Campeão brasileiro de laser


Quais foram suas colocações no Brasileiro de Laser?
2º, 1º, 1º, 7º e 9º

Como foi o vento durante o campeonato?
O vento foi bem fraco! Três Marias ficou conhecida por ter um vento muito fraco e inconstante, as rajadas passavam e o vento quase acabava. Tivemos uma regata (a 2ª) que teve o percurso encurtado no último sota-vento, pois o vento estava acabando mesmo.

Quais estratégias você adotou no início e no final do campeonato?
Com um campeonato com tanto barco (90 competidores) e muita gente bem leve com capacidade de andar bem nestas condições de vento fraco, a maior preocupação era deixar o barco andar bem solto, com boa velocidade para terminar as regatas entre os 10 primeiros. Não ficava preocupado com os resultados, mas em deixar o barco andar e ficar entre os dez. Acho que deu certo!

Qual seu treinamento para o campeonato?
Nos meses de dezembro e início de janeiro procurei treinar todos os dias, e confesso que fiquei contente em cumprir 50 % desta meta, o trabalho nem sempre permite que se treine mais. Geralmente saia no final da tarde durante a semana, muitas vezes sozinho. Sábado e domingo também velejava, geralmente com mais gente. Os ventos estavam variando muito, as vezes o vento era bom e as vezes era fraco como em Três Marias.

Pelas manhãs eu me dedicava a preparação física, geralmente 40 minutos de bicicleta ergométrica.

Na Pré-Olimpica de 2001 (fiquei em 3º  colocado) e no Brasileiro de 2007 (também fiquei em 3º colocado), ambos realizados em Brasília e também com ventos moderados a fracos, eu senti muito minha condição física e acho que desta vez, com este trabalho com a bicicleta ergométrica, eu me senti bem e confortável, apesar de ficar todo encolhido no barco, não fiquei acabado com o decorrer do campeonato. Esta preparação física foi importante para a minha conquista.

Quais fatores levaram a essa vitória?
Apesar de muita gente não acreditar, nós em Brasília velejamos muito bem, temos muita sensibilidade! O que nos prejudica bastante é o fator onda, que não temos no Lago Paranoá. Mesmo nos ventos fortes e sem ondas, nós estamos de igual para igual com os outros. Neste campeonato, o fator que mais nos ajudou foi a pouca onda da represa de Três Marias. Mesmo na 3ª regata do campeonato, que ventou bem no primeiro contravento, eu velejei muito bem, dominando a regata de ponta a ponta.

Como você considera o fator psicológico, principalmente na última regata?
Na última regata, eu estava muito tranquilo, dependia basicamente de mim mesmo e ainda tinha a vantagem de ser vitorioso, se o segundo colocado ficasse no 6º lugar ou colocação pior.

O que meu deu muita tranquilidade para velejar bem, foi minha determinação em me concentrar no andamento do barco e não ficar desejando ficar em uma determinada colocação ou ficar na frente de alguém. Sabia que se andasse bem, os resultados viriam e se ficasse entre os dez em cada regata, estaria ótimo, terminaria o campeonato brigando pelo 1º.

Tive a oportunidade de verificar na prática esta filosofia, em focar não no resultado, mas em focar em se desempenhar o máximo no barco.

No início do campeonato tive uma conversa longa com um dos competidores, falava justamente em deixar o barco andar, só andar, que o resto seria uma consequência. A tática deu certo nas 3 primeiras regatas, este competidor estava bem no campeonato. Entretanto, nas duas últimas regatas, parecia-me que ele estava mais preocupado em chegar na frente de fulano ou sicrano, ou chegar em tal colocação. Resultado: - não foi bem! Parece que ficou nervoso demais para deixar o barco andar, o rendimento não foi mais o mesmo...

Qual o segredo para uma classe ter sucesso em termos de resultados?
Em qualquer classe, individualmente é muito difícil obter bons resultados em campeonatos nacionais ou internacionais. Uma classe organizada, com vários velejadores de nível, fica mais fácil ter sucesso. É uma questão de compartilhar a evolução de cada um, os treinos tornam-se mais produtivos, há mais motivação e troca de experiências entre as pessoas.

Em Brasília, com a condição que temos de pouco vento e ondas pequenas,  se as classes não forem organizadas será mais difícil superar estas dificuldades de se velejar em Brasília e obtermos melhores resultados. Nós deveriámos promover treinos fora de Brasília, inclusive com técnicos experientes. No passado recente a classe Optimist fez muito isto e deu ótimos resultados...
  
Quais conselhos você dá aos velejadores iniciantes para se tornarem campeões?
Ter o QUERER!

QUERER é o "combustível" que move todas as suas ações: no esporte, na escola, no trabalho, em tudo.

A quantidade do QUERER é o que vai determinar todas as atitudes, que serão tomadas para se atingir o que se deseja.

A sua dedicação, sua persistência, seu esforço, seu comprometimento em fazer algo é proporcional ao tamanho do seu QUERER!

Não se pode pensar em ser um campeão sem ter um grande QUERER!!!