2º, 1º,
1º, 7º e 9º
Como foi o vento durante o campeonato?
O vento
foi bem fraco! Três Marias ficou conhecida por ter um vento muito fraco e
inconstante, as rajadas passavam e o vento quase acabava. Tivemos uma
regata (a 2ª) que teve o percurso encurtado no último sota-vento,
pois o vento estava acabando mesmo.
Quais estratégias você adotou no
início e no final do campeonato?
Com um
campeonato com tanto barco (90 competidores) e muita gente bem leve com
capacidade de andar bem nestas condições de vento fraco, a maior preocupação
era deixar o barco andar bem solto, com boa velocidade para terminar as regatas
entre os 10 primeiros. Não ficava preocupado com os resultados, mas em deixar o
barco andar e ficar entre os dez. Acho que deu certo!
Qual seu treinamento para o campeonato?
Nos meses
de dezembro e início de janeiro procurei treinar todos os dias, e confesso
que fiquei contente em cumprir 50 % desta meta, o trabalho nem sempre permite
que se treine mais. Geralmente saia no final da tarde durante a semana, muitas
vezes sozinho. Sábado e domingo também velejava, geralmente com mais gente. Os
ventos estavam variando muito, as vezes o vento era bom e as vezes era
fraco como em Três Marias.
Pelas
manhãs eu me dedicava a preparação física, geralmente 40 minutos de bicicleta
ergométrica.
Na
Pré-Olimpica de 2001 (fiquei em 3º colocado) e no Brasileiro de 2007
(também fiquei em 3º colocado), ambos realizados em Brasília e também com
ventos moderados a fracos, eu senti muito minha condição física e acho que
desta vez, com este trabalho com a bicicleta ergométrica, eu me
senti bem e confortável, apesar de ficar todo encolhido no barco, não
fiquei acabado com o decorrer do campeonato. Esta preparação física foi
importante para a minha conquista.
Quais fatores levaram a essa vitória?
Apesar de
muita gente não acreditar, nós em Brasília velejamos muito bem, temos muita
sensibilidade! O que nos prejudica bastante é o fator onda, que não temos no
Lago Paranoá. Mesmo nos ventos fortes e sem ondas, nós estamos de igual
para igual com os outros. Neste campeonato, o fator que mais nos ajudou foi a
pouca onda da represa de Três Marias. Mesmo na 3ª regata do campeonato, que
ventou bem no primeiro contravento, eu velejei muito bem, dominando a regata de
ponta a ponta.
Como você considera o fator psicológico, principalmente na última regata?
Na última
regata, eu estava muito tranquilo, dependia basicamente de mim mesmo e ainda
tinha a vantagem de ser vitorioso, se o segundo colocado ficasse no 6º
lugar ou colocação pior.
O que meu
deu muita tranquilidade para velejar bem, foi minha determinação em me
concentrar no andamento do barco e não ficar desejando ficar em uma determinada
colocação ou ficar na frente de alguém. Sabia que se andasse bem, os resultados
viriam e se ficasse entre os dez em cada regata, estaria ótimo, terminaria o
campeonato brigando pelo 1º.
Tive a
oportunidade de verificar na prática esta filosofia, em focar não no
resultado, mas em focar em se desempenhar o máximo no barco.
No início
do campeonato tive uma conversa longa com um dos competidores, falava
justamente em deixar o barco andar, só andar, que o resto seria uma
consequência. A tática deu certo nas 3 primeiras regatas, este competidor
estava bem no campeonato. Entretanto, nas duas últimas regatas, parecia-me
que ele estava mais preocupado em chegar na frente de fulano ou sicrano,
ou chegar em tal colocação. Resultado: - não foi bem! Parece que ficou
nervoso demais para deixar o barco andar, o rendimento não foi mais o mesmo...
Qual o segredo para uma classe ter sucesso em
termos de resultados?
Em
qualquer classe, individualmente é muito difícil obter bons resultados em
campeonatos nacionais ou internacionais. Uma classe organizada, com vários
velejadores de nível, fica mais fácil ter sucesso. É uma questão de
compartilhar a evolução de cada um, os treinos tornam-se mais produtivos,
há mais motivação e troca de experiências entre as pessoas.
Em
Brasília, com a condição que temos de pouco vento e ondas
pequenas, se as classes não forem
organizadas será mais difícil superar estas dificuldades de
se velejar em Brasília e obtermos melhores resultados. Nós deveriámos promover
treinos fora de Brasília, inclusive com técnicos experientes. No passado
recente a classe Optimist fez muito isto e deu ótimos resultados...
Quais conselhos você dá aos velejadores iniciantes
para se tornarem campeões?
Ter o
QUERER!
QUERER é
o "combustível" que move todas as suas ações: no esporte, na escola,
no trabalho, em tudo.
A
quantidade do QUERER é o que vai determinar todas as atitudes, que serão tomadas
para se atingir o que se deseja.
A sua
dedicação, sua persistência, seu esforço, seu comprometimento em fazer algo é
proporcional ao tamanho do seu QUERER!